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25 de nov de 2011

Suicídio, Câncer e o Agronegócio

Por Rosa Godinho*

Santarém - Existem vários modelos de desenvolvimento, entre eles está o agronegócio, que é considerado pelos estudiosos o maior responsável por uso de agrotóxicos em suas lavouras. A agricultura química vem, ao longo das últimas décadas, apresentando resultados cada vez piores na relação produtividade x custos e deixando os agricultores cada dia mais estrangulados e com margem de lucros cada vez mais achatadas. Somente a produção em grande escala é capaz de proporcionar ganhos satisfatórios, mas, isso tem um preço. Esse modelo de desenvolvimento exclui, destrói e mata as florestas e sua biodiversidade. As populações em torno de tais empreendimentos sofrem todos os tipos de conseqüências, entre elas a contaminação que, segundo dados da Organização Mundial da Saúde, aumenta o índice de câncer de mama nas mulheres e suicídios entre os homens agricultores.

Em 1996 teve grande repercussão na imprensa nacional o estudo intitulado “Suicídio e Doença Mental em Venâncio Aires/RS”, conseqüência do uso de agrotóxicos organofosforados. Naquele pequeno município predomina a cultura (plantio) do fumo. Em Santa Cruz do Sul, conhecida como capital do fumo, somente em 2001 suicidaram-se 21 pessoas – na maioria agricultores. Em 1996, o assunto ganhou as páginas da imprensa brasileira e internacional quando um epidemia de suicídios atingiu Venâncio Aires, cidade vizinha a Santa Cruz. Na época, o índice local chegou a 37,22 casos por 100 mil habitantes. A média brasileira é de 3,8 suicídios por 100 mil habitantes.

Em Lucas do Rio Verde, pesquisas identificaram no ano passado alto índice de contaminação em mulheres, especialmente nas que estavam amamentando, esse dado é preocupante, levando em consideração que este município tem um dos melhores índices de desenvolvimento humano IDH (distribuição de renda per capita por habitante).

O Brasil é considerado “campeão” mundial em consumo de herbicidas, fungicidas e inseticidas agrícolas. O país consome, em média, 5,2 litros anuais desses venenos por habitante, segundo documentos apresentados pela OMS (Organização Mundial da Saúde). A OMS reconhece e declara também o papel estratégico da agricultura familiar para a segurança alimentar, do uso sustentável e racional dos recursos naturais e sua biodiversidade. A soberania e a segurança alimentar também são identificadas como eixos de desenvolvimento socioeconômico e ambiental.

Pro outro lado dados oficiais mostram que a agricultura familiar emprega 75% da mão de obra do campo no Brasil, responde por 70% da produção de feijão, 87% da de mandioca e 58% do leite consumido no país, garantindo, assim, a segurança alimentar de seus 192 milhões de habitantes. Dados estes fornecidos pela Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO). Apesar dos dados, ainda há pouco fomento para os pequenos produtores.

Desenvolver com responsabilidade, requer estudos sistemáticos de como, quando e onde fazê-lo. Gerar divisas, emprego, crescimento econômico, é uma necessidade premente do ser humano moderno, contudo deve-se levar em consideração as questões ambientais e a saúde de sua população. Crescer de qualquer jeito definitivamente não é um bom negócio. A melhoria da qualidade de vida, crescimento econômico e ambiental devem ser e igualdade e responsabilidade entre os governos.

Fonte: notapajos.com


(*) Maria Rosa Sousa Godinho
Diretora Geral do Centro de Apoio a Projetos de Ação Comunitária - CEAPAC
Técnica em Gestão Ambiental e na Pedagogia da Alternância - (Educação do Jovem no Campo), THD em Odontologia

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