Bem vindo ao Cá Prá Nós!

É com prazer que apresentamos o Cá Prá Nós, uma iniciativa de divulgação das ações da TIJUPÁ e das principais notícias e articulações dos campos da Agroecologia, Economia Solidária, Reforma Agrária, Segurança Alimentar, entre outros temas. O Cá Prá Nós é uma versão on line do informativo impresso da TIJUPÁ que circulou no início dos anos 90.
Esperamos que gostem!
Equipe da TIJUPÁ

28 de jul de 2015

Jornada de agroecologia afirma urgência de um novo projeto de agricultura

Por Iris Pacheco

“Você sabia que gente também é semente? E gente sendo semente precisa ser cultivada”. Foi com o tom de cultivar os valores do cuidado, da singeleza e da rebeldia que a 14° Jornada de Agroecologia no Paraná concluiu, neste sábado (25), um ciclo para iniciar outros tantos no coração de homens, mulheres e crianças ali presentes.

A jornada, que começou na quarta-feira (22), teve quatro dias de intensos debates, socializações de conhecimentos e cultivo dos saberes. Toda a beleza desses dias se reflete no ato de encerramento com a convocação do povo para assumir o compromisso de construir novas relações entre os homens e a Mãe Terra, de serem guardiães e guardiãs das sementes e da biodiversidade para a humanidade.

Foto: Leandro Taques

“Temos que manter a conscientização, a rebeldia, a desobediência e a conspiração para enfrentar o agronegócio. Uma delas é sermos todo dia guardiães das sementes e compartilhá-las. Partilhar é um gesto de cuidado e amor”, declamou José Maria Tardim, ao conduzir um dos momentos místicos que compuseram o ato.

Ao som do ganido da gralha azul, imagem símbolo da jornada, que desceu sobre a plenária ecoando nos ouvidos dos cerca de 4 mil camponeses ali presentes o desafio de compartilhar as sementes do saber e cultivá-las, com a conexão ancestral com o conhecimento e a energia dos povos que geraram a agricultura.

“E a ti que amas entregarei meu bosque de ideias e coisas sãs”

‘‘Cuidado” foi uma palavra foi bastante utilizada em todo o ato. Porém, não se remetia ao cuidado que compõe a canção do medo, da incerteza. E sim do cuidado que constrói pela singeleza, que cultiva o amor e cativa os lutadores e lutadores com sutileza e esperança.

Gesto esse demonstrado na emoção do seu Tobias, ao depor para os milhares de trabalhadores rurais que há mais de 21 anos trabalha com o bioenergético e ervas medicinais, já atendeu cerca de 80 mil pessoas com a técnica e transmitiu seu conhecimento para cerca de 200 pessoas.

Foto: Leandro Taques

No misto de timidez e alegria da pequena Sem Terrinha Emanuela Pereira, de 6 anos, que canta a canção Palestina Livre do CD Plantando Cirandas 3. No empolgamento do agricultor Ariulino Alves, conhecido como Chocolate, ao declamar a Poesia Jornada da esperança: Resgate da história, feita especialmente para a 14° Jornada.

Na singeleza cultivada pelos Encantados Trupe Agroecológica que se despedem da Jornada poetizando o desafio que é travarmos a batalha das ideias no cotidiano sem perder a ternura.

Foto: Leandro Taques

Logo, todos tiveram uma certeza. A jornada é construída por muitas vidas que carregam grandiosas histórias para serem contadas e compartilhadas. Vidas que sentem no dia a dia as contradições e ofensivas da luta por uma sociedade mais justa e igualitária.

“Não vale mais a canção feita de medo… Agora vale a alegria feita de planta e de pão”

“Compartilhar” foi a segunda palavra mais citada. Mas, compartilhar enquanto um espaço de experimentar o encontro do amor e cuidado. Tardim traduziu em palavras o sentimento reunido neste momento ímpar.

“Agricultura é um encontro de amor e cuidado dos povos originários que cultivaram a natureza e gera para as gerações futuras a agricultura… E nós vamos seguir realizando a agroecologia, nosso modo de fazer agricultura”.

Como os povos originários que geraram a agricultura para seus descendentes, o compromisso não deve ser somente o de cuidar das sementes, mas também de ser guardadores dos valores que permeiam a vida camponesa.

Foto: Leandro Taques

Mais do que a tradicional troca de sementes realizadas ao final das Jornadas, o que se vivenciou foi a troca de conhecimentos, de histórias, de mística. De manter o ciclo de compartilhamento de saberes nas comunidades, nos assentamentos, nos quilombos e aldeias indígenas.

“Anciães estendam o braço e coloquem a benção com um gesto sagrado de fortalecer a nossa rebeldia, a conspiração pelo encontro amoroso com a terra, a água e as sementes e assim fazer de todos aqui guardiães das sementes. Lutadores e lutadores do povo por uma terra livre de transgênicos e sem agrotóxicos”, convida poeticamente José Maria.

Foto: Leandro Taques

Assim, todos e todas foram convidados a assumir o compromisso coletivo de receber e compartilhar da sabedoria camponesa que está contida na história de vida de cada ancião e anciã guardiães das sementes. Sabedoria essa que “precisa encontrar o coração, a mente e o trabalho de todas as crianças e juventude”.

E também reafirma na Carta da 14° Jornada de Agroecologia o compromisso de dar continuidade à luta por uma terra livre de latifúndios, sem transgênicos e sem agrotóxicos, e pela construção de um Projeto Popular Soberano para a Agricultura.


Fonte: http://www.jornadaagroecologia.com.br/

Nenhum comentário: