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Equipe da TIJUPÁ

5 de set de 2017

Caravana Mulheres e Agroecologia: Luta e Resistência no Baixo Munim

Sem feminismo não há agroecologia! Com esta palavra de ordem necessária aos tempos atuais que a região Baixo Munim se alegrou ao receber entre os dias 28 e 30 de agosto a I Caravana em preparação ao III Encontro Maranhense de Agroecologia/EMA e rumo ao IV Encontro Nacional de Agroecologia /ENA. Sob a organização da Rede de Agroecologia do Maranhão e com o tema Caravana Mulheres e Agroecologia: luta e resistência no Baixo Munim cerca de 86 participantes entre trabalhadoras e trabalhadores rurais assentadas e assentados da Reforma Agrária, militantes sociais de diversas organizações, equipe técnica da Tijupá, de diferentes regiões se reuniram para refletir sobre práticas de Agroecologia vivenciadas no Estado do Maranhão. Foram três dias de visitas, diálogos, troca e muita mística. A Caravana experienciou práticas agroecológicas protagonizadas por mulheres em áreas de assentamento da reforma agrária da Região do Baixo Munim.

Dia (28) a primeira parada da Caravana Mulheres e Agroecologia foi no assentamento São

João do Rosário onde o grupo saboreou almoço agroecológico organizado pelo grupo de mulheres da comunidade e a programação seguiu com um bate papo sobre o Banco de Sementes Crioulas (a experiência do grupo de mulheres semeando a resistência), bem como uma breve exposição sobre a Feira Agroecológica de Rosário e a incidência dessas mulheres nas politicas públicas de acesso a mercado, especialmente a luta e conquista do Programa Nacional de alimentação Escolar – PNAE no município de Rosário.


nós recebemos as sementes no nosso Encontro de Feirantes, e depois com apoio do NEA a gente foi melhorando... tem regras, se você pega uma semente tem que devolver o dobro daquela mesma ou de outra que você tiver, mais tem que ser crioula”
Maria José – coord. Banco de Sementes Mulheres Semeando a resistência


A segunda parada do dia foi na área produtiva de D. Nelma (experiência PAIS), onde ela recebeu a todas e todos com para uma prosa que transmitiu toda sua resistência e paixão pela prática agroecológica, apontando também os desafios de ser mulher e produzir para alimentar a família e superar desigualdades. O segundo dia (29), ao raiar do sol, o grupo se despede de São João do Rosário e segue para o município de Morros, estacionando no povoado Timbó, assentamento Rio Pirangi, onde foi recebido com a “doçura do mel” por D. Nicota, defensora das abelhas nativas e da Agroecologia que emocionou e encantou a todas e todos por seu testemunho, resistência, protagonismo e conhecimento acumulado sobre a meliponicultura. No mesmo dia à tarde na comunidade Patizal a alegria contagiou todas e todos e a visita ao Sistema Agroflorestal/SAF de D. Lió foi de muito aprendizado e troca. O dia seguiu com a visita ao campo nativo de mangaba na mesma comunidade ao por do sol e um renivador banho no rio Paraíso reforçando as energias de todas e todos para a noite de cultura, dança e muitos risos (ao sabor de licor de mangaba e som de São Gonçalo e a quadrinha da escola local).


as abelhas precisam de nós, mais nós precisamos dela ainda mais... no inicio eu não entendia como funcionava elas me ensinaram muito” D. Nicota

O terceiro dia (30) já iniciou deixando saudades. A visita à feira Agroecológica de Morros e o diálogo com D. Maria José relatando a experiência dessas mulheres com a comercialização agroecológica foi a última parada antes do almoço a beira do Rio Munim, onde foi realizada a avaliação da Caravana e onde foram feitos diálogos e convergências para o III EMA e para a construção coletiva troca de saberes agroecológicos no Maranhão. Para Cidvânia coordenadora do programa Mulheres e Agroecologia da Associação agroecológica Tijupá “a organização das mulheres se faz necessária para o enfrentamento às desigualdades e fortalecimento das lutas das mulheres. Lutas por direitos condições de vida digna no campo e na cidade. Todos os dias as mulheres enfrentam violência naturalizadas nas mais diferentes formas, seja na desigual divisão sexual do trabalho, na mercantilização do corpo nas propagandas e outdoors, nos assédios, mas também e sobretudo na omissão e negligência do Estado que inviabiliza a autonomia das mulheres ao não dispor de creches, não viabilizar acesso a água, moradia, atendimento de saúde eficiente, delegacias especializadas para atender vitimas de violência. Enfim, no campo e nas cidades, as mulheres são vitimas de uma estrutura imoral, desigual e promotora das mais diversas formas de violência”


A Caravana envolveu as organizações: ASSEMA, ACESA, AVESOL, MST, CPT, Coletivo de Mulheres Trabalhadoras Rurais, FETAEMA, UFMA, NEA – IFMA. Contou com a organização da Associação Agroecológica Tijupá, RAMA, Circuito de Feiras Agroecológicas do Baixo Munim. E com o Apoio financeiro do Contrato de ATER/INCRA/Tijupá nº15.000/2012, da organização Pão para o Mundo e entidades parceiras.

Um comentário:

Regilma de Sant´ana disse...

Coisa mais linda de se ver e vivenciar. A Caravana foi de fato um momento de muito aprendizado e troca de saberes.
Parabéns a todxs